Milford Sound: como fazer um bate e volta nos fiordes da Nova Zelândia

O nosso terceiro dia da Nova Zelândia

No nosso terceiro dia na Nova Zelândia, fizemos um bate e volta em Milford Sound. Estávamos hospedados em Queenstown e nos planejamos para sair cedinho e dirigir por cerca de quatro horas até lá. Quando acordamos, estava chovendo muito em Queenstown e a previsão era o tempo permanecer assim o dia todo! Decidimos, então, dirigir até uma cidadezinha chamada Te Anau, que fica a duas horas de Queenstown, e lá se informar sobre as condições da estrada até Milford Sound.

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Mesmo com chuva, o caminho até Milford Sound é lindo!
Mas o que é Milford Sound?

Milford Sound é o nome dado a um fiorde que fica na Ilha Sul da Nova Zelândia. Ele é um dos principais pontos turísticos do país e se formou pelo degelo das montanhas e pela ação do vento durante as eras glaciais. O fiorde é um dos quatorze que compõem o Parque Nacional de Fiordland e está localizado em uma região que tem muita precipitação. Justamente por isso, dias chuvosos são muito comuns por lá!

Um fiorde é, basicamente, uma grande entrada de mar entre montanhas rochosas altas. E é exatamente isso que os passeios de barco por Milford Sound exploram! Eles navegam entre aquelas montanhas gigantescas, nas quais se formam enormes cachoeiras em dias chuvosos. Por isso, a forma mais comum de se conhecer a região é fazendo um passeio de barco com uma das empresas que operam no local.

Passeio de barco em Milford Sound pela empresa Southern Discoveries

Entenda o planejamento do bate e volta

Saímos de Queenstown antes das 7 horas da manhã porque o caminho até Milford Sound é longo! No caminho, paramos em Te Anau, cidadezinha em que inicia a Milford Highway, que possui 120 quilômetros de extensão. Por isso, é lá que você deve procurar o Visitor Information Centre para pegar um mapa da estrada e saber quais os passeios indicados para as condições climáticas do dia.

Mirror Lakes em um dia nublado: sem reflexo na água!

Entenda onde fica Milford Sound

No mapa abaixo, eu marquei Milford Sound em roxo. Te Anau e Queenstown, que podem ser utilizadas como cidades estratégicas para fazer um bate e volta e explorar a região, estão marcadas em amarelo. Se você sair de Queenstown, obrigatoriamente irá passar por Te Anau, pois é dali que parte a única estrada que leva a Milford Sound.

Te Anau

Te Anau é uma pequena cidade que pode ser utilizada como base para explorar o Parque Nacional de Fiordland. Ela está localizada a 170 quilômetros ao sul de Queenstown e a estrada até lá é considerada uma das mais bonitas do país! O Lago Te Anau, que pode ser visto do centrinho da cidade, também é o maior lago da Ilha Sul. É a partir de Te Anau que inicia a Milford Highway, estrada que levará você a Milford Sound, no extremo leste da Ilha Sul.

Para melhor aproveitar o passeio, fomos ao Visitor Information Centre para nos informar sobre as condições da Milford Highway. Ela estava aberta, mas chovia muito e, por isso, não daria para fazer todas as trilhas que planejamos. Também era esperado que nevasse durante o dia, o que poderia causar o fechamento da estrada mais tarde. De qualquer forma, nos mostraram quais locais seria interessante pararmos e, através de uma filmagem em tempo real, pudemos ver a visibilidade em Milford Sound. Com o mapa em mãos, então, seguimos viagem!

Centro de Visitantes em Te Anau.
Foto retirada do site: tripadvisor.co.nz

Nosso roteiro pela Milford Highway

A Milford Highway está situada no Parque Nacional de Fiordland e possui 120 quilômetros de extensão. Durante todo esse trajeto, você vai passar por diversos pontos de parada que podem ser explorados se as condições climáticas permitirem. Antes de chegar a Milford Sound, paramos em quatro deles, que são: The Eglinton Valley, Mirror Lakes, Monkey Creek e Homer Tunnel. Todos os pontos são muito bem sinalizados e possuem estacionamento gratuito – exceto Homer Tunnel, conforme eu vou explicar logo abaixo.

Uma dica importantíssima é que, ao longo de toda a Milford Highway, não há posto de gasolina! Então não esqueça de encher o tanque de combustível em Te Anau para evitar uma tremenda dor de cabeça depois. Outro cuidado importante que você deve ter é o planejamento do tempo até chegar ao destino final. Uma vez que o passeio de barco é agendado previamente, considere levar mais de duas horas percorrendo a estrada. Especialmente se o dia estiver bonito e você for parar em vários pontos de interesse!

No mapa abaixo, eu marquei Te Anau e Milford Sound em roxo. Os quatro locais em que paramos estão marcados em amarelo. Nos falaram que The Chasm, que fica 10 quilômetros antes de Milford Sound, também é imperdível, então não deixe de conferir se o dia estiver bonito quando você for! No mapa que nos entregaram em Te Anau, entretanto, há 31 pontos de parada indicados na estrada. É inviável visitar todos eles em um bate e volta, então é importantíssimo fazer uma seleção prévia e se planejar direitinho no tempo.

1. The Eglinton Valley

O Eglinton Valley fica a mais ou menos 50 quilômetros ao norte de Te Anau e foi a nossa primeira parada na Milford Highway. O vale foi esculpido por antigas geleiras, há milhares de anos, e é um dos poucos lugares da Nova Zelândia com grandes áreas de floresta de faia. Existem plantas e animais selvagens aqui que você não encontrará em nenhum outro lugar do mundo, incluindo mais de 30 espécies raras e ameaçadas de extinção.

Para chegar ao mirante, basta você estacionar o carro no acostamento da estrada e seguir uma pequena trilha até o cartaz informativo. Ele fica bem de frente para o Eglinton Valley e possui explicações sobre a sua origem e o nome das montanhas que o cercam. Nós poderíamos seguir o caminho a pé até chegar ao rio Eglinton, mas como o chão estava molhado e a chuva começou a apertar, resolvemos seguir viagem.

Cartaz informativo sobre a origem e formação de Eglinton Valley

2. Mirror Lakes

Menos de 5 minutos depois, chegamos a Mirror Lakes, que é o nome dado a um conjunto de lagos que fica praticamente na metade do caminho entre Te Anau e Milford Sound. Para chegar aos lagos, basta caminhar por 5 minutos em uma trilha de nível fácil, que inclusive é adaptada para cadeira de rodas. No total, o trajeto tem 400 metros, já contando a ida e a volta. Bem em frente ao início da trilha, há estacionamento gratuito para carros e ônibus.

Em frente aos lagos, há uma plataforma larga de madeira, da qual dizem ser possível ver o reflexo das montanhas Earl na água. Como o tempo estava nublado e chuvoso, conseguimos apenas ver uns patinhos no lago – e nada de reflexo! Ali você também vai encontrar diversos cartazes informativos sobre a fauna e a flora da região, que são bem interessantes. Fiquei morrendo de vontade de voltar em um dia de céu claro…

Que tal o visual em um dia de céu claro?
Foto retirada do site: doc.govt.nz

3. Monkey Creek

Cerca de 30 minutos depois de Mirror Lakes, você vai chegar a Monkey Creek. O local foi chamado assim em homenagem ao cachorro de William Henry Homer, chamado Monkey. Homer foi o colonizador europeu que trabalhou na área de Fiordland, como topógrafo, no século XIX. Seu nome também foi dado ao túnel que atravessa uma montanha altíssima, logo antes de chegar a Milford Sound.

O estacionamento do local é parada obrigatória de praticamente todos ônibus e vans turísticas que passam por ali. Além de ser amplo e de fácil acesso, é rodeado por montanhas altíssimas e o visual ao seu redor é grandioso e lindo! Próximo ao estacionamento, um rio de água transparente corre por cima das pedras. A sua água é tão pura que dizem ser possível bebê-la diretamente da fonte.

Esse é o melhor lugar para ver o Kea de pertinho!

Monkey Creek também é um local popular para ter contato com a vida selvagem. Raros patos azuis vivem no riacho e, no estacionamento, é ponto comum para encontrar o Kea, que é o papagaio alpino nativo da Nova Zelândia. O Kea é uma ave de tamanho médio, crescendo até 50 centímetros de altura. Eles possuem uma plumagem verde-oliva e foi incrível poder vê-los tão de pertinho.

As aves costumam chegar perto das pessoas para pedir comida, mas não esqueça que eles estão ameaçados de extinção e, por serem animais selvagens, não os alimente e nem tenha contato físico com eles. Quando estacionamos, dois Keas prontamente se aproximaram. Por serem muito inteligentes e curiosos, eles dão um jeitinho de subir nos carros para morder a antena. Por isso, não deixe a janela ou a porta aberta, pois eles entram mesmo!

4. Homer Tunnel

O Homer Tunnel é o ponto mais alto de toda a Milford Highway. Ele é um túnel com 1,2 quilômetro de extensão que atravessa uma montanha altíssima e foi aberto em 1953. Outra característica peculiar dele é que somente passam carros em um sentido. Por isso, há uma sinaleira que pode demorar até 20 minutos para abrir e você conseguir passar. Não esqueça de levar esse tempo em consideração no seu planejamento para chegar a Milford Sound a tempo do passeio de barco!

Quando chegamos lá, nos deparamos com uma neve bem forte. Foi a primeira vez que vimos ela tão de perto na Nova Zelândia. Vários funcionários trabalhavam tirando a neve da pista, mas ela voltava a acumular rapidinho. Logo após passar o túnel, chegamos a uma estrada bem sinuosa, mas com uma vista linda! Com aquela neve caindo a todo vapor, a fila de carros teve que ir bem devagarinho. Ou seja, mais atraso para levar em consideração no planejamento do roteiro…

5. Cruzeiro em Milford Sound

Em Milford Sound, você deve estacionar em frente ao Centro de Informação ao Turista. Ali há um espaço amplo com banheiros e algumas opções para comer, como lanches, pizzas e café. Também há capas de chuva e souvenirs à venda, bem como um quiosque da empresa Southern Discoveries agendando passeios pela região. Pedimos uma pizza e sentamos para almoçar, pois ainda faltava cerca de duas horas para o nosso cruzeiro.

Dali caminhamos por cerca de 10 minutos até chegar ao porto em que saem os passeios de barco. Os ônibus e vans turísticas largam os passageiros lá na porta, mas se você estiver dirigindo seu próprio carro deve deixá-lo no estacionamento. O porto possui um escritório de cada uma das empresas que operam em Milford Sound. Basta você se dirigir até a sua para fazer o check in e aguardar o horário do embarque.

Almoço no Centro de Informação ao Turista
Como agendar o passeio? Quanto custa?

Agendamos o nosso passeio por Milford Sound com a empresa Southern Discoveries. Eles possuem diversas opções de cruzeiros, que duram de 1h45min a 3 horas. Compramos o mais popular, que é o Nature Cruise, com duração de 2 horas e que custou NZD 65,00 por pessoa. O passeio é feito em um catamarã com dois andares e que possui um deque de observação bem grande, mas também vários lugares disponíveis para sentar na parte interna.

Nosso passeio estava agendado para às 14:45. Chegamos ao guichê da Southern Discoveries bem antes, com a esperança de antecipar o nosso cruzeiro. Acabamos não conseguindo porque o passeio que estava prestes a sair era mais caro que o nosso, já que incluía almoço. Como a diferença de preço era bem grande, optamos por esperar pelo nosso horário. O porto possui uma estrutura coberta bem completa e ali ficam também guichês de outras empresas, como a Jucy, Real Journeys e a Cruise Milford.

Depois de pesquisar sobre os passeios oferecidos pelas empresas, percebi que os itinerários de todas são mais ou menos iguais. Em alguns é servido almoço, há opção com guia multilingue, outros são combinados com passeio de caiaque e há, inclusive, cruzeiros noturnos. Já que o Nature Cruise, oferecido pela Southern Discoveries, possuía uma duração razoável e um bom custo-benefício, optamos por ele. Além disso, já que fizemos a reserva com antecedência, através do site oficial, ganhamos um desconto de 10%.

Como é o cruzeiro por Milford Sound?

Logo que embarcamos no catamarã, nos acomodamos em uma mesa na parte interna para largar as mochilas e escapar do frio. Tentamos nos esquentar tomando o café oferecido gratuitamente no cruzeiro, mas era muito ruim! Então o jeito foi ficar ali dentro e saímos somente para fotografar algumas cachoeiras e as focas que descansavam sobre as pedras em Seal Rock.

Durante o passeio, o guia falou apenas em inglês e comentou sobre a origem dos fiordes, bem como sobre os animais e plantas que são encontrados naquela região tão remota do país. Ele explicou que a paisagem se transforma completamente de um dia de céu claro para um chuvoso, já que a chuva forma diversas cachoeiras que despencam lá do alto das encostas. Para ter uma idéia da grandiosidade do lugar, ele disse que algumas delas podem chegar a 1 quilômetro de altura!

As quedas d’água realmente impressionaram pela altura e pudemos chegar pertinho de várias delas, como a Stirling Falls, que é uma de apenas duas cascatas permanentes da Nova Zelândia. Eu fiquei morrendo de vontade de voltar em um dia de céu claro para poder ver o Mitre Peak, que possui 1682 metros de altura e estava encoberto pela neblina. Além disso, o passeio seria mais bem aproveitado, já que a chuva e o frio nos impediram de ficar muito tempo no deque do cruzeiro.

Trajeto do Nature Cruise, oferecido pela Southern Discoveries
O nosso primeiro perrengue na Nova Zelândia!

Logo antes do passeio, fomos informados que a neve havia se intensificado e que a estrada até o Homer Tunnel iria fechar às 16:30. Por isso, o nosso passeio duraria 30 minutos a menos, para que pegássemos a estrada aberta no retorno e pudéssemos ir embora de Milford Sound. A empresa informou, ainda, que iria estornar no nosso cartão de crédito o valor proporcional pela diminuição do tempo do passeio. País de primeiro mundo, né?!

Embarcamos preocupados porque não queríamos ficar presos em Milford Sound! Correu tudo bem durante o passeio, mas, quando retornávamos ao porto, ouvimos um barulho bem alto. Logo em seguida, o barco começou a pender para um lado. Sem entender o que estava acontecendo, fomos informados pelo piloto que um dos motores do cruzeiro havia estragado! Passado o desespero inicial, o barco voltou devagarinho e pendendo para um lado até o porto (UFA!!).

Já atrasados e acreditando que não daria tempo de pegar a estrada aberta, corremos como nunca até o carro. Dali saímos em disparada em direção ao Homer Tunnel e – graças a Deus – pegamos ele aberto. Passamos pelos pontos em que havíamos parado no início do dia e quase não reconhecemos eles! A neve tomou conta da estrada e tivemos que dirigir bem devagarinho até Te Anau. Quando saímos daquela parte alta em que fica a Milford Highway, já nem estava chovendo mais!

Tome nota antes de ir

  • O caminho entre Te Anau e Milford Sound dura, no mínimo, 2h30min. Se você for parar nos pontos de interesse, planeje-se para demorar mais.
  • Leve em consideração um atraso de, pelo menos, 20 minutos em Homer Tunnel.
  • Não há nenhum posto de gasolina na Milford Highway: encha o tanque em Te Anau!
  • Em um dia quente, não esqueça de levar repelente.
  • Não há sinal de rádio e de celular durante toda a Milford Highway. Para ouvir música, capriche na playlist offline do Spotify.
Voltamos a Queenstown com uma lua linda dessas!

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